A Emenda 1 da ABNT NBR 6118:2023, publicada em 11 de março de 2026, revisa parte da norma brasileira de projeto de estruturas de concreto. O conteúdo remanescente da edição de 2023 permanece válido e, lido em conjunto com a emenda, passa a equivaler à ABNT NBR 6118:2026.
Esta Emenda 1, de 11.03.2026, em conjunto com a ABNT NBR 6118:2023, equivale à ABNT NBR 6118:2026.
A alteração mais perceptível é a criação de regras mais objetivas para a Avaliação Técnica de Projeto (ATP) e para as Classes de Consequência (CC). Entretanto, a revisão é mais ampla: ela também modifica requisitos de vida útil, durabilidade, fluência, emendas de armaduras, protensão, imperfeições globais, combinações de serviço, redistribuição de esforços, estabilidade, punção, detalhamento de vigas e lajes, armaduras de segurança em balanços, consolos, blocos sobre estacas e vibrações.
Este artigo apresenta todos os itens alterados pela emenda, explica o significado técnico de cada mudança e indica seus efeitos práticos. A análise é interpretativa e não substitui a consulta ao texto oficial completo da norma.
Sumário
- Como a emenda deve ser aplicada
- Requisitos gerais de qualidade, durabilidade e sustentabilidade
- Avaliação Técnica de Projeto: ATP e classes CC1, CC2 e CC3
- Vida útil e formação tardia de etringita
- Propriedades dos materiais e deformações diferidas
- Aderência, ancoragem, emendas e protensão
- Ações, imperfeições e combinações de serviço
- Resistência, furos, deslocamentos e redistribuição
- Lajes-cogumelo, estabilidade e esbeltez
- Flexão, fissuração, cisalhamento e torção
- Detalhamento de estribos, apoios e armadura de suspensão
- Punção e detalhamento de lajes
- Bielas e tirantes, consolos e blocos sobre estacas
- Vibrações e concreto simples
- Alterações do Anexo A
- Checklist de adequação
- Glossário de siglas e símbolos
Principais mudanças em uma visão rápida
| Tema | Alteração central | Impacto prático |
| ATP | Revisão independente passa a ser regra geral | Projetos precisam prever avaliador, escopo, parecer e rastreabilidade |
| Classes de consequência | Criação das classes CC1, CC2 e CC3 | O rigor da avaliação passa a depender das consequências de uma falha |
| Vida útil | Referência normativa de 50 anos | Premissas de exposição, manutenção e substituição de componentes devem ser documentadas |
| Durabilidade | Inclusão da formação tardia de etringita | Grandes volumes de concreto exigem atenção ao controle térmico |
| Emendas | Traspasse proibido acima de 32 mm; luvas com requisito mínimo | Detalhamento e controle de execução ficam mais rigorosos |
| Redistribuição | Limite geral δ ≥ 0,75 | Redução de momentos elásticos limitada a 25% |
| Lajes em balanço | Nova armadura inferior de segurança | Marquises e balanços ganham mecanismo adicional contra colapso total |
| Punção | Reforço da proteção contra colapso progressivo | Armadura inferior deve atravessar e estar ancorada além do contorno crítico |
| Vibrações | Frequência natural mínima de 3 Hz | Pisos devem atender simultaneamente ao limite mínimo e ao afastamento da excitação |
| Blocos e consolos | Figuras e detalhamentos substituídos | Bibliotecas de projeto e padrões executivos precisam ser atualizados |
1. Como a emenda deve ser aplicada
1.1 Regra de transição da NBR 6118:2026
A emenda estabelece que a edição de 2026 não se aplica obrigatoriamente aos projetos de construção que tenham sido:
- protocolados para aprovação no órgão de licenciamento antes da publicação da norma; ou
- protocolados no prazo de até 180 dias após a publicação.
Nesses casos, a edição de 2023 ainda pode ser utilizada.
O que isso significa na prática
A referência objetiva é a data do protocolo perante o órgão competente, não a data do contrato, do início do cálculo ou da contratação da obra. Para evitar dúvidas futuras, a documentação do projeto deve conservar:
- comprovante do protocolo;
- data do protocolo;
- identificação das pranchas, memoriais e revisões protocoladas;
- norma adotada no dimensionamento;
- registro das modificações posteriores.
Projetos substancialmente alterados depois do protocolo podem exigir nova análise de enquadramento. A regra de transição não deve ser usada como autorização genérica para manter procedimentos antigos em projetos novos.
1.2 Referências normativas excluídas
Foram retiradas da lista de referências:
- a norma relativa às barras de aço CA-42 S com características de soldabilidade;
- a norma de ensaio de dobramento de materiais metálicos citada anteriormente.
A exclusão se relaciona à nova redação do item 8.3.1, que passa a indicar expressamente as categorias de aço CA-25, CA-50 e CA-60, conforme a ABNT NBR 7480.
Consequência prática
Especificações, memoriais e padrões internos que ainda mencionem CA-42 S devem ser revisados. A retirada da referência não é apenas editorial: ela reduz o suporte normativo direto para essa categoria dentro da NBR 6118.
2. Requisitos gerais de qualidade, durabilidade e sustentabilidade
2.1 Item 5.1.2.3: nova definição de durabilidade
A durabilidade passa a ser apresentada como a capacidade de a estrutura resistir às influências ambientais definidas no início do projeto. Essas influências devem ser estabelecidas pelo projetista em conjunto com o contratante e devem incluir, no mínimo, as condições previstas pela norma.
Significado técnico
A emenda reforça que a durabilidade depende de premissas de uso e de exposição que não podem ser presumidas isoladamente pelo calculista. O contratante deve informar condições como:
- ambiente industrial;
- atmosfera marinha;
- contato com solo ou água agressiva;
- exposição a sulfatos, cloretos ou produtos químicos;
- ciclos de molhagem e secagem;
- temperaturas de operação;
- possibilidade de mudança de uso;
- ambientes sujeitos a abrasão ou limpeza agressiva.
Efeito contratual e documental
Convém incorporar ao termo de referência ou ao memorial de premissas:
- CAA — Classe de Agressividade Ambiental;
- vida útil pretendida;
- agentes agressivos conhecidos;
- condições de inspeção e manutenção;
- componentes substituíveis;
- limitações das informações fornecidas pelo cliente.
A alteração distribui responsabilidades de forma mais clara. O projetista continua responsável pela solução estrutural, mas o contratante deve fornecer as condições reais de exposição.
2.2 Item 5.2.1: sustentabilidade como requisito de qualidade
A solução estrutural deve atender aos requisitos de:
- capacidade resistente;
- desempenho em serviço;
- durabilidade;
- sustentabilidade.
O que a inclusão de sustentabilidade representa
A norma não cria, nesse item, um índice obrigatório de carbono ou uma equação de sustentabilidade. A alteração estabelece um princípio de projeto que favorece decisões como:
- redução de desperdícios;
- escolha racional de materiais;
- maior vida útil;
- facilidade de inspeção e manutenção;
- possibilidade de reparo;
- compatibilização com métodos executivos;
- redução de intervenções futuras.
Um contraponto necessário
Sustentabilidade não é sinônimo de minimizar aço e concreto a qualquer custo. Estruturas excessivamente esbeltas podem exigir maior manutenção, apresentar mais fissuração ou ter menor robustez. A avaliação deve considerar o ciclo de vida, e não apenas o consumo inicial de material.
3. Avaliação Técnica de Projeto: ATP e classes CC1, CC2 e CC3
A Seção 5.3 foi integralmente substituída. Esta é a mudança de maior impacto organizacional e jurídico da emenda.
ATP significa Avaliação Técnica de Projeto. Trata-se da verificação independente do projeto estrutural quanto ao atendimento à NBR 6118 e às demais normas aplicáveis.
CC significa Classe de Consequência. As classes CC1, CC2 e CC3 classificam as estruturas conforme a gravidade potencial das consequências de uma falha.
3.1 Item 5.3.1: ATP como regra geral
A ATP deve ser realizada nos projetos de estruturas e concluída antes da construção. A norma recomenda que a avaliação ocorra imediatamente após cada fase de projeto.
A economicidade da solução não integra o escopo da ATP.
O que deve ser compreendido
A ATP não é uma revisão comercial do projeto. O avaliador não decide se a solução é a mais barata, mas se:
- as premissas estão corretas;
- os modelos são adequados;
- os cálculos atendem às normas;
- as verificações de ELU e ELS foram realizadas;
- os desenhos são coerentes;
- os detalhes são executáveis;
- as especificações são suficientes.
ELU significa Estado-Limite Último, associado à segurança contra ruptura, instabilidade ou perda de equilíbrio.
ELS significa Estado-Limite de Serviço, associado a deformações, fissuras, vibrações, conforto e funcionamento da estrutura.
3.2 Item 5.3.2: criação das classes de consequência
A tabela 5.1 estabelece três classes.

Tabela 5.1 — Classes de consequência e casos típicos
Figura 1 — Tabela 5.1 da emenda: enquadramento típico das classes CC1, CC2 e CC3. Fonte: ABNT NBR 6118:2023/Em1:2026, documento fornecido pelo usuário.
CC1 — baixa consequência
Inclui, de forma típica:
- residências unifamiliares com até dois pavimentos habitáveis;
- edifícios agrícolas normalmente não ocupados permanentemente.
CC2 — consequência intermediária
Inclui, de forma típica:
- edifícios residenciais multifamiliares e comerciais com até cinco pavimentos habitáveis;
- muros de contenção com até 2,5 m de altura de empuxo;
- pequenas reformas sem eliminação de pilares;
- reformas com acréscimo de carga limitado a 5% do total.
CC3 — alta consequência
Inclui, entre outros:
- arquibancadas, arenas, ginásios e estádios;
- salas de concertos, cinemas e teatros;
- hospitais e escolas;
- shopping centers;
- edifícios residenciais e comerciais com mais de cinco pavimentos habitáveis;
- subsolos de qualquer tipo;
- muros de contenção com altura de empuxo superior a 2,5 m;
- estações ferroviárias e metroviárias;
- aeroportos, pontes, viadutos e passarelas;
- estruturas industriais;
- obras portuárias, de mineração, telecomunicações e energia;
- barragens e obras hidráulicas;
- silos;
- marquises;
- balanços superiores a 3 m;
- estruturas protendidas;
- reformas com eliminação de pilares.
Impacto do enquadramento
Uma estrutura pode ser classificada como CC3 por uma única característica. Um edifício baixo, por exemplo, pode migrar para CC3 se possuir estrutura protendida, marquise ou subsolo.
A classificação deve ser feita no início do projeto e registrada nos documentos contratuais e técnicos.
3.3 Item 5.3.3: dúvida implica adoção de CC3
Quando houver dúvida sobre a classe, a norma determina a adoção de CC3.
Efeito prático
A emenda impede que o enquadramento seja reduzido por conveniência. A escolha por CC1 ou CC2 deve ser tecnicamente justificável. Na incerteza, prevalece o nível mais rigoroso de avaliação.
3.4 Item 5.3.4: escopo mínimo da ATP
A ATP deve incluir, no mínimo:
- verificação das premissas;
- verificação do atendimento às normas;
- análise dos cálculos;
- avaliação das especificações;
- avaliação dos desenhos e detalhes construtivos.
Diferença entre CC3 e CC1/CC2
Para estruturas CC3, o avaliador deve desenvolver modelos e análises estruturais independentes.
Para estruturas CC1 e CC2, o avaliador pode analisar o memorial e revisar os cálculos existentes.
A diferença é substancial. Na CC3, não basta conferir entradas e resultados do modelo do autor. Deve existir uma análise independente capaz de identificar erros de concepção, modelagem ou distribuição de rigidez.
3.5 Item 5.3.5: possibilidade de dispensa da ATP
A ATP pode ser dispensada em estruturas CC1 e CC2, desde que:
- o projetista e o contratante concordem;
- a decisão seja formalizada;
- o documento integre a documentação do projeto.
Não há previsão de dispensa para CC3.
Risco associado à dispensa
A dispensa reduz custo e prazo de revisão, mas também elimina uma barreira de controle. Em estruturas CC2 com geometrias incomuns, fundações sensíveis, grandes balanços ou mudanças de uso, a revisão independente pode continuar sendo racional mesmo quando formalmente dispensável.
3.6 Item 5.3.6: independência do avaliador
O profissional responsável pela ATP deve ser:
- habilitado;
- independente em relação ao autor do projeto estrutural.
O que se espera da independência
A independência não deve ser apenas formal. O avaliador precisa ter liberdade técnica para:
- questionar premissas;
- solicitar documentos;
- refazer verificações;
- registrar divergências;
- emitir conclusão não condicionada ao autor.
Uma revisão interna pode ser útil como controle de qualidade, mas não deve ser confundida automaticamente com ATP independente.
3.7 Item 5.3.7: definição prévia das atribuições
Avaliador e projetista devem estabelecer, de comum acordo:
- prerrogativas;
- exigências;
- documentos necessários;
- forma de comunicação;
- responsabilidades presentes e futuras;
- tratamento de decisões conjuntas.
Documento recomendado
É prudente criar um Plano de ATP, contendo:
- classe de consequência;
- escopo;
- fases avaliadas;
- lista de documentos;
- softwares e modelos de referência;
- critérios de aceitação;
- forma de registro de pendências;
- prazos de resposta;
- responsáveis;
- procedimento para revisões.
Ponto de controle técnico: em obras industriais, protendidas, com subsolos, marquises ou contenções relevantes, a ATP deve ser contratada antes da liberação do projeto executivo. A contratação tardia tende a transformar a avaliação em correção de obra, elevando custo e risco.
3.8 Item 5.3.8: tratamento das divergências
Ajustes decorrentes da ATP devem ser decididos entre:
- contratante;
- autor do projeto;
- avaliador.
A decisão sobre a solução final permanece com o profissional responsável pelo projeto.
Significado jurídico
O avaliador não assume automaticamente a autoria do projeto. Ele emite parecer e recomendações. O autor permanece responsável pela solução final emitida.
Quando uma recomendação não for adotada, a justificativa técnica deve ser registrada. A ausência de registro gera incerteza sobre quem decidiu e com base em quais premissas.
3.9 Item 5.3.9: parecer de ATP
O avaliador deve emitir um parecer que passa a integrar o projeto.
Conteúdo mínimo recomendado
O parecer deve identificar:
- empreendimento;
- classe de consequência;
- autor e avaliador;
- revisões examinadas;
- documentos recebidos;
- premissas;
- modelos independentes ou verificações;
- não conformidades;
- respostas do projetista;
- pendências;
- conclusão.
Comentários informais em arquivos ou mensagens isoladas não substituem adequadamente um parecer consolidado.
3.10 Item 5.3.10: dever de comunicação
O autor do projeto deve alertar o contratante sobre a obrigatoriedade da ATP. O contratante deve informar quem será o responsável pela avaliação.
Procedimento recomendado
A proposta e o contrato de projeto devem incluir cláusula específica sobre:
- classe de consequência preliminar;
- necessidade de ATP;
- responsabilidade pela contratação;
- prazo para indicação do avaliador;
- impedimento de liberação para execução antes da conclusão, quando aplicável.
4. Vida útil e formação tardia de etringita
4.1 Item 6.2.2: vida útil diferenciada por componente
A vida útil pode ser atribuída à estrutura como um todo ou a partes específicas. Aparelhos de apoio e juntas de movimentação são exemplos de componentes que podem ter vida útil inferior à da estrutura principal.
Significado
A norma reconhece a existência de componentes substituíveis. Isso não reduz a exigência de durabilidade da estrutura principal, mas exige que o projeto preveja:
- acesso;
- inspeção;
- manutenção;
- possibilidade de substituição;
- periodicidade de intervenção.
4.2 Novo item 6.2.4: vida útil de projeto de 50 anos
Os procedimentos da NBR 6118 consideram uma VUP de 50 anos.
VUP significa Vida Útil de Projeto: período durante o qual a estrutura deve manter desempenho compatível com as condições previstas, desde que seja executada, utilizada e mantida adequadamente.
O que 50 anos não significa
Não representa:
- garantia contratual automática de 50 anos;
- dispensa de manutenção;
- impossibilidade de reparo;
- duração exata da estrutura;
- responsabilidade ilimitada do projetista.
A VUP depende de execução, uso, ambiente, inspeção e manutenção coerentes com as premissas do projeto.
4.3 Novo item 6.3.2.4: formação tardia de etringita
A emenda incorpora a formação tardia de etringita, fenômeno expansivo associado a concretos que atingem temperaturas elevadas durante a hidratação e permanecem expostos à umidade.
O texto menciona temperaturas em torno de 65 °C como faixa de atenção.
O que é etringita tardia
A etringita é um produto de hidratação relacionado aos aluminatos e sulfatos do cimento. Em determinadas condições térmicas, sua formação inicial pode ser alterada. Posteriormente, na presença de umidade, a etringita pode se formar dentro do concreto endurecido e gerar expansão, microfissuração e perda de desempenho.
Medidas preventivas
A emenda indica:
- limitação da temperatura máxima;
- controle de álcalis;
- controle de aluminatos e sulfatos do cimento;
- redução da exposição do elemento à umidade.
Elementos mais sensíveis
A atenção é maior em:
- blocos de grandes dimensões;
- radiers espessos;
- blocos sobre estacas;
- bases de equipamentos;
- paredes maciças;
- concretagens com alto consumo de cimento;
- elementos com baixa dissipação de calor.
Interpretação correta do valor de 65 °C
O valor não deve ser tratado como limite universal e isolado. O risco depende do cimento, das adições, da geometria, da temperatura de lançamento e da evolução térmica. Grandes volumes devem ter plano de concretagem e controle térmico compatíveis.
5. Propriedades dos materiais e deformações diferidas
5.1 Item 8.1: redefinição de Eci
Eci passa a representar o módulo de elasticidade inicial do concreto aos 28 dias, referenciado ao módulo cordal conforme a ABNT NBR 8522-1.
Consequência
A definição aproxima o parâmetro de cálculo do procedimento de ensaio. Relatórios tecnológicos e memoriais devem utilizar a mesma base de interpretação.
5.2 Exclusão de Eci28
A designação Eci28 é eliminada, e as equações passam a utilizar Eci.
Efeito
A alteração é principalmente de uniformização. Quando o valor aos 28 dias já era utilizado corretamente, o resultado numérico tende a permanecer o mesmo.
5.3 Item 8.2.11: fluência e retração
A emenda esclarece que deformações mais precisas por fluência e retração podem ser calculadas conforme o Anexo A e o item 11.3.3.2.
Fluência é o aumento progressivo de deformação sob tensão mantida.
Retração é a deformação volumétrica do concreto associada principalmente à perda de umidade e às reações de hidratação.
Aplicação prática
A análise refinada é relevante em:
- vigas de grandes vãos;
- lajes esbeltas;
- estruturas protendidas;
- pilares altos;
- estruturas com etapas construtivas;
- elementos sujeitos a grandes ações permanentes.
5.4 Item 8.3.1: categorias de aço
A norma passa a indicar, para estruturas de concreto armado:
- CA-25;
- CA-50;
- CA-60;
todos conforme a ABNT NBR 7480.
CA significa Concreto Armado na classificação comercial dos aços para armaduras. O número indica a resistência característica de escoamento em kgf/mm² na nomenclatura tradicional, correspondente aproximadamente a 250, 500 e 600 MPa.
5.5 Item 8.3.7: exclusão do segundo parágrafo
A emenda determina a exclusão integral do segundo parágrafo do item 8.3.7, sem reproduzir o conteúdo anterior.
Como interpretar
O efeito exato depende da leitura comparativa com a edição-base de 2023. Em processos de atualização de memoriais e bibliotecas, esse trecho deve ser conferido diretamente na versão consolidada.
5.6 Item 8.4.6: exclusão do segundo parágrafo
O mesmo ocorre no item 8.4.6: há exclusão de conteúdo sem reprodução do texto anterior.
Procedimento prudente
Não se deve reconstruir o conteúdo apenas por inferência. A revisão de procedimentos internos deve utilizar a norma consolidada ou a versão de 2023 lado a lado com a emenda.
6. Aderência, ancoragem, emendas e protensão
6.1 Item 9.2.1: reorganização do escopo
A seção passa a explicitar que trata de:
- aderência;
- ancoragem;
- emendas das armaduras.
Condições específicas de proteção, regiões de descontinuidade e elementos especiais são remetidas às seções próprias.
Consequência
Regras gerais não devem ser aplicadas sem verificar exigências específicas de lajes, vigas, consolos, blocos, nós e regiões de descontinuidade.
6.2 Item 9.5.2: limite para emendas por traspasse
A emenda por traspasse não é permitida para barras com bitola superior a 32 mm.
Efeito prático
Para diâmetros maiores, devem ser adotadas soluções como:
- luvas mecânicas;
- soldagem tecnicamente admitida;
- continuidade de barras;
- emendas em regiões previamente estudadas.
O item também reforça cuidados especiais em:
- tirantes;
- pendurais;
- elementos lineares inteiramente tracionados;
- armaduras de costura;
- ancoragens.
6.3 Item 9.5.3: emendas mecânicas por luvas
O título é alterado para “Emendas mecânicas por luvas”.
Na ausência de norma específica aplicável, a resistência da emenda deve ser, em ensaio, no mínimo 15% superior à resistência de escoamento da barra emendada.
Implicações de controle
A especificação deve contemplar:
- fabricante e modelo;
- categoria e diâmetro da barra;
- certificado de ensaio;
- procedimento de montagem;
- comprimento de rosca ou inserção;
- torque, quando aplicável;
- rastreabilidade;
- inspeção de campo.
A resistência nominal de catálogo, sem comprovação e controle de montagem, é insuficiente.
6.4 Item 9.6.3.3.2.2: perdas por atrito na protensão
Para cordoalha em bainha de polipropileno lubrificada, a emenda estabelece:
μ = 0,07
Na ausência de dados experimentais, o coeficiente k, associado a curvaturas não intencionais do cabo, pode ser adotado como:
- 0,065 μ (1/m) para bainha de polipropileno lubrificada;
- 0,01 μ (1/m) nos demais casos.
μ é o coeficiente de atrito entre cordoalha e bainha.
k representa a perda por metro devida a desvios não intencionais do cabo.
Consequência
Sistemas de protensão não aderente passam a ter valores de referência mais específicos. Dados experimentais do sistema efetivamente utilizado continuam preferíveis.
6.5 Item 9.6.3.4.2: retirada do índice 28
A equação de deformações diferidas passa a utilizar Eci, sem o índice 28.
Efeito
É uma consequência da uniformização adotada no item 8.1 e no Anexo A.
7. Ações, imperfeições e combinações de serviço
7.1 Item 11.2.2: ação da água
A ação da água pode ser:
- permanente ou variável;
- normal ou especial;
dependendo da situação e das normas de ações e segurança estrutural.
Exemplos
A classificação pode variar em:
- reservatórios;
- piscinas;
- subpressão;
- enchentes;
- nível d’água permanente;
- água de processo;
- situações de manutenção;
- esvaziamento ou enchimento excepcional.
A água não deve ser enquadrada automaticamente em uma única categoria.
7.2 Item 11.3.3.2: cálculo da fluência
A emenda reforça a referência ao Anexo A e ao item 8.2.11 para cálculo das deformações por fluência.
Efeito
Memórias de cálculo devem manter coerência entre:
- módulo de elasticidade;
- idade de carregamento;
- duração das ações;
- umidade;
- dimensões do elemento;
- coeficiente de fluência.
7.3 Figura 11.1: imperfeições geométricas globais
A expressão “prumadas de pilares” é retirada. O parâmetro n passa a ser relacionado ao número de pilares que efetivamente contribuem para o efeito do desaprumo global associado à altura H.

Figura 11.1 — Imperfeições geométricas globais
Figura 2 — Nova apresentação das imperfeições geométricas globais. Fonte: ABNT NBR 6118:2023/Em1:2026.
Significado
A contagem de n deve refletir o sistema resistente considerado no modelo, e não apenas uma leitura geométrica simplificada das prumadas. Como n influencia a imperfeição global, a hipótese adotada deve ser documentada.
7.4 Item 11.8.3.1: combinações quase permanentes e frequentes
Combinação quase permanente
Deve ser usada principalmente para a verificação de deformações excessivas, salvo quando o projeto exigir combinação mais conservadora.
Combinação frequente
É indicada para:
- formação de fissuras;
- abertura de fissuras;
- vibrações excessivas;
- deformações causadas por vento ou temperatura que possam prejudicar vedações.
Siglas relacionadas
- ELS-DEF: Estado-Limite de Serviço de Deformações Excessivas.
- ELS-F: Estado-Limite de Serviço de Formação de Fissuras.
- ELS-W: Estado-Limite de Serviço de Abertura de Fissuras.
A nomenclatura pode variar conforme a edição e o contexto, mas o princípio é separar o fenômeno verificado da combinação de ações correspondente.
8. Resistência, furos, deslocamentos e redistribuição
8.1 Item 12.3.3: coeficiente s
Passa a ser adotado:
s = 0,20
para concretos produzidos com cimento CP V-ARI e para todos os concretos de classe C60 ou superior.
CP V-ARI significa Cimento Portland de Alta Resistência Inicial.
C60 indica concreto com resistência característica à compressão f_{ck} de 60 MPa.
Efeito
O coeficiente participa da estimativa da evolução da resistência com a idade. A emenda estende explicitamente o valor aos concretos de alta resistência.
8.2 Item 12.4.1: outros valores de γc
A emenda acrescenta que outros valores do coeficiente de ponderação do concreto podem ser exigidos em situações específicas previstas em outras partes da norma.
γc é o coeficiente parcial de segurança do concreto.
Consequência
O valor usual não deve ser aplicado de modo automático quando uma seção específica estabelecer regra própria.
8.3 Item 13.2.5.1: dimensões máximas de furos
Para a situação simplificada tratada pelo item, o furo fica limitado a:
- 12 cm × 12 cm, quando retangular;
- 12,5 cm de diâmetro, quando circular;
- dimensão máxima igual a h/3.
h é a altura total do elemento.
Efeito
Furos maiores não são automaticamente proibidos, mas saem do enquadramento simplificado. Eles exigem análise específica de:
- perda de seção;
- fluxo de tensões;
- cisalhamento;
- torção;
- armadura de contorno;
- interferência com barras;
- posição em relação aos apoios.
8.4 Tabela 13.3: retirada de limite angular e nova nota
A emenda elimina a expressão angular θ = 0,0017 rad em uma das verificações da tabela e reorganiza as notas de rodapé.

Trecho da Tabela 13.3 — Limites de deslocamentos
Figura 3 — Trecho alterado da Tabela 13.3. Fonte: ABNT NBR 6118:2023/Em1:2026.
Também é incluída uma nota esclarecendo que o deslocamento total deve considerar:
- todas as ações da combinação adotada;
- efeitos de longa duração.
Consequência
A verificação não pode se limitar à flecha instantânea. Devem ser avaliados, conforme o caso:
- fluência;
- retração;
- sequência de carregamento;
- idade de retirada de escoramento;
- permanência das cargas;
- efeitos diferidos.
8.5 Tabela 13.4: lajes protendidas
A nota passa a indicar que, para lajes protendidas, é suficiente atender ao ELS-F para a combinação frequente das ações em todas as classes de agressividade ambiental.
O que não foi dispensado
Continuam necessárias as demais verificações aplicáveis:
- tensões;
- deformações;
- vibrações;
- perdas de protensão;
- durabilidade;
- detalhamento e proteção dos cabos.
8.6 Item 14.6.4.2: redistribuição e estabilidade global
Quando houver redistribuição de esforços, os efeitos dessa alteração sobre a estabilidade global devem ser considerados em toda a estrutura.
Significado
Não é correto reduzir momentos em vigas e manter, sem verificação, a rigidez e os esforços globais do modelo original. A redistribuição pode alterar:
- rotações;
- deslocamentos;
- esforços em pilares;
- efeitos de segunda ordem;
- mecanismos de colapso.
8.7 Item 14.6.4.3: ajustes editoriais
A numeração de alíneas é substituída por travessões. Trata-se de alteração de formatação, sem efeito técnico direto.
8.8 Item 14.6.4.3: limite de redistribuição
O coeficiente de redistribuição deve obedecer:
δ ≥ 0,75
δ é a razão entre o momento após a redistribuição e o momento elástico original.
Exemplo
Se o momento elástico é 100 kN·m, o momento redistribuído não pode ser inferior a 75 kN·m. A redução máxima geral é de 25%.
Por que existe o limite
A redistribuição depende de capacidade de rotação e ductilidade. Reduções excessivas podem conduzir a:
- plastificação não prevista;
- fissuração elevada;
- perda de rigidez;
- mecanismo frágil;
- concentração de deformações.
9. Lajes-cogumelo, estabilidade e esbeltez
9.1 Item 14.7.8: definição de laje-cogumelo
A laje-cogumelo é definida como a laje apoiada diretamente sobre pilares. Pode ser:
- maciça ou nervurada;
- com ou sem capitel.
A laje lisa passa a ser caracterizada como uma laje-cogumelo maciça e sem capitéis.
Consequência
A terminologia é organizada e evita tratar “laje lisa” e “laje-cogumelo” como sistemas necessariamente distintos.
9.2 Figura 15.3: efeitos localizados de segunda ordem
A figura é substituída por uma nova representação de efeitos localizados de segunda ordem em elementos de parede e sistemas relacionados.

Figura 15.3 — Efeitos localizados de segunda ordem
Figura 4 — Representação substitutiva dos efeitos localizados de segunda ordem. Fonte: ABNT NBR 6118:2023/Em1:2026.
Aplicação
A figura deve orientar a interpretação dos modos de deformação localizados. Bibliotecas de cálculo, apostilas e procedimentos que reproduzam a figura anterior precisam ser atualizados.
9.3 Item 15.7.3: redução de rigidez em elementos pouco comprimidos
Em edifícios com menos de quatro pavimentos, quando a força de compressão for pequena:
NSd < 0,1 Ac·fcd
a redução de rigidez deve ser avaliada de forma específica.
NSd é a força normal de cálculo.
Ac é a área bruta de concreto.
fcd é a resistência de cálculo à compressão do concreto.
Consequência
Elementos como oitões ou empenas podem não se comportar como pilares convencionalmente comprimidos. A aplicação automática de redutores usuais de rigidez pode produzir resultados inadequados.
9.4 Item 15.8.1: limite de esbeltez
A regra geral permanece:
λ ≤ 200
Entretanto, o índice pode superar 200 em elementos pouco comprimidos, quando:
Nd < 0,10 fcd·Ac
λ é o índice de esbeltez.
Interpretação
A exceção não libera pilares usuais para esbeltez ilimitada. Ela se aplica a elementos com força normal muito pequena e exige análise específica de estabilidade.
9.5 Substituição de “centro de gravidade” por “centroide”
A expressão é alterada em vários itens, incluindo 17.1, 17.3.1, 17.4.2.2 e 24.6.3.
Significado
“Centroide” é o termo geométrico apropriado para o centro de uma área ou distribuição de armadura. “Centro de gravidade” se relaciona à distribuição de massa ou peso. A alteração é conceitual e normalmente não muda os cálculos.
10. Flexão, fissuração, cisalhamento e torção
10.1 Item 17.2.4.1: concentração das forças nas armaduras
As forças das armaduras podem ser concentradas em um centroide único quando a distância entre esse centroide e a camada mais afastada for inferior a 10% da altura da seção.
Efeito
Em seções com camadas muito afastadas, a simplificação deixa de ser adequada. Pode ser necessário considerar resultantes distintas e braços de alavanca específicos.
10.2 Item 17.3.2.1.1: rigidez equivalente de vigas
Quando for necessária maior precisão, a rigidez equivalente dos vãos pode ser calculada por ponderação conforme a figura indicada na norma.
Aplicação
A abordagem é útil em:
- grandes vãos;
- vigas parcialmente fissuradas;
- estruturas com exigência rigorosa de flecha;
- compatibilização com vedações;
- análise de redistribuição.
10.3 Item 17.3.3.2: definição de σsi
σsi passa a ser definida como a tensão de tração no centroide da armadura considerada, calculada no estádio II.
Estádio II é a condição de cálculo em que o concreto tracionado é considerado fissurado e a resistência à tração do concreto é desconsiderada na seção.
Consequência
O controle de fissuração deve usar a tensão da seção fissurada, não a tensão elástica da seção íntegra.
10.4 Item 17.3.3.2: elementos protendidos
Nos elementos protendidos, σsi representa o acréscimo de tensão na armadura entre o estado de descompressão e o carregamento analisado. Toda a armadura ativa deve ser considerada, inclusive a situada em bainhas.
Significado
A verificação de fissuração deve incorporar a contribuição de todos os cabos ou cordoalhas efetivamente ativos.
10.5 Item 17.3.5.2.4: taxa máxima de armadura
A soma das armaduras de tração e compressão deve atender:
As + As’ ≤ 4% Ac
A verificação de Ac é feita fora da zona de emendas, e as exigências de ductilidade permanecem obrigatórias.
Interpretação
A concentração local de barras em emendas não deve ser utilizada para justificar taxa longitudinal básica superior a 4%.
10.6 Item 17.4.1.1.3: armadura transversal
A armadura transversal pode ser constituída por:
- estribos fechados;
- combinação de estribos e barras dobradas.
Quando houver barras dobradas, elas não podem resistir a mais de 60% da força total atribuída à armadura transversal.
Efeito
Pelo menos 40% da resistência transversal deve ser garantida por estribos ou por parcela que não dependa exclusivamente de barras dobradas.
10.7 Item 17.5.1.4.1: seção celular equivalente na torção
Quando A/u < 2c1, pode ser adotada a espessura equivalente:
he = A/u ≤ bw – 2c1
A área média Ae deve ser determinada pelos eixos das armaduras de canto, respeitando o cobrimento dos estribos.
Símbolos
- A: área da seção;
- u: perímetro;
- c1: distância relacionada ao cobrimento e à posição das armaduras;
- he: espessura da parede da seção celular equivalente;
- bw: largura da alma;
- Ae: área limitada pela linha média da seção celular.
Consequência
A emenda esclarece a construção geométrica do modelo resistente à torção.
10.8 Item 18.1: correção de símbolo
A emenda corrige a grafia de Fsd. Trata-se de ajuste editorial sem mudança conceitual.
11. Detalhamento de estribos, apoios e armadura de suspensão
11.1 Item 18.2.4: estribos suplementares
Quando o estribo suplementar for uma barra reta com ganchos:
- os ganchos devem ter, preferencialmente, 135° a 180°;
- a barra deve atravessar a seção;
- os ganchos devem envolver barras longitudinais.
Se houver várias barras na mesma extremidade, o gancho pode envolver o estribo principal junto a uma das barras longitudinais, desde que o detalhe seja claramente indicado.

Figura 18.2 — Estribos suplementares
Figura 5 — Alternativas de grampos e estribos suplementares. Fonte: ABNT NBR 6118:2023/Em1:2026.
Consequência
O detalhe precisa produzir ancoragem e confinamento efetivos. Grampos apenas encostados, sem envolver armadura longitudinal ou estribo principal conforme o detalhe, não atendem ao objetivo mecânico.
11.2 Item 18.3.2.4, alínea a: momento positivo em apoio intermediário
Quando houver momento positivo em apoio intermediário, deve ser prevista a armadura obtida pelo dimensionamento da seção.
Efeito
O detalhamento não pode pressupor que o apoio intermediário esteja sempre submetido apenas a momento negativo.
11.3 Item 18.3.2.4, alínea b: ancoragem da diagonal de compressão
Nos apoios extremos, a armadura deve resistir à força de tração:
Fsd = MSd/z + (aℓ/d)·VSd + NSd
respeitando o mínimo:
Fsd ≥ (aℓ/d)·VSd + NSd
Símbolos
- MSd: momento fletor de cálculo;
- z: braço de alavanca interno;
- aℓ: deslocamento do diagrama de forças;
- d: altura útil;
- VSd: força cortante de cálculo;
- NSd: força normal de cálculo.
Consequência
A ancoragem no apoio não depende apenas do momento. Também deve transferir a parcela associada ao modelo de treliça do cisalhamento e à força normal.
11.4 Item 18.3.2.4, alínea c: prolongamento da armadura positiva
Parte da armadura de tração do vão, correspondente ao máximo momento positivo, deve ser prolongada até os apoios extremos e intermediários.
Objetivo
A medida favorece:
- continuidade;
- amarração;
- robustez;
- resistência a inversões de esforço;
- segurança diante de recalques ou efeitos imprevistos.
11.5 Nova alínea d: momento negativo em apoio extremo
Quando houver momento negativo em apoio extremo, a armadura obtida no dimensionamento deve ser ancorada segundo o item específico de ancoragem.
Efeito
A norma passa a tratar explicitamente uma situação que não pode ser resolvida apenas com o detalhe usual de armadura positiva.
11.6 Item 18.3.2.4.1: início da ancoragem
A emenda esclarece que, nos casos indicados, o comprimento de ancoragem deve ser medido a partir da face do apoio e atender ao maior dos valores normativos aplicáveis.
Consequência
A medição não deve começar em uma posição arbitrária dentro do apoio.
11.7 Exceção para ganchos com cobrimento de 70 mm
Quando o trecho do gancho tiver cobrimento de pelo menos 70 mm e a ação variável máxima não ocorrer com grande frequência, um dos três critérios de comprimento pode ser desconsiderado.
Restrição
As duas condições devem ser atendidas simultaneamente. Os demais critérios continuam válidos.
11.8 Ancoragem de 10φ em apoio intermediário
Em uma situação específica de prolongamento da armadura positiva, pode ser adotado comprimento de 10φ, desde que não exista possibilidade de momentos positivos imprevistos no apoio.
φ é o diâmetro da barra.
Situações que impedem a simplificação
- efeitos de vento;
- recalques;
- inversões de esforço;
- mudanças de vinculação;
- redistribuições não previstas.
Quando houver possibilidade, as barras devem ser contínuas ou emendadas sobre o apoio.
11.9 Item 18.3.3.2: barras de amarração nos cantos dos estribos
Nos cantos de estribos fechados e nos ganchos de estribos abertos:
- se não houver barra longitudinal de cálculo, deve ser colocada barra de amarração;
- o diâmetro dessa barra deve ser, no mínimo, igual ao diâmetro do estribo;
- se houver barra longitudinal, seu diâmetro também deve ser, no mínimo, igual ao do estribo.
Objetivo
O estribo deve encontrar apoio mecânico efetivo e não ficar ancorado em um canto sem barra longitudinal compatível.
11.10 Item 18.3.4: estribos para torção
Os estribos destinados à torção devem:
- ser fechados em todo o contorno;
- envolver as barras longitudinais;
- ter extremidades adequadamente ancoradas;
- usar ganchos de 135°.
Efeito
Estribos abertos ou com fechamento inadequado não formam o tubo resistente necessário ao mecanismo de torção.
11.11 Item 18.3.6: armadura de suspensão
Em vigas não penduradas, com faces superiores coincidentes, a carga de suspensão pode ser reduzida pelo fator:
1 – hsusp/hviga de apoio
onde hsusp é a diferença de nível entre as faces inferiores.

Figura 18.4 — Armadura de suspensão
Figura 6 — Distribuição da armadura de suspensão na ligação entre vigas. Fonte: ABNT NBR 6118:2023/Em1:2026.
Interpretação
Quanto maior a interpenetração vertical entre as vigas, menor a parcela da carga que precisa ser transferida exclusivamente por suspensão. A figura também orienta onde concentrar a armadura calculada.
12. Punção e detalhamento de lajes
12.1 Item 19.5.2.3: pilares de borda
A emenda reorganiza a apresentação das equações para pilares de borda e distingue:
- reação de apoio;
- perímetro crítico reduzido;
- momento perpendicular à borda;
- excentricidade do perímetro;
- módulo de resistência plástica.
Consequência
A mudança é principalmente de clareza e formatação, mas reduz o risco de aplicação incorreta do momento efetivo no perímetro crítico.
12.2 Item 19.5.4: proteção contra colapso progressivo
A armadura inferior de flexão que atravessa o contorno do pilar deve estar suficientemente ancorada além do contorno crítico aplicável.
Objetivo
Essa armadura deve fornecer:
- ductilidade local;
- capacidade residual;
- mecanismo de suspensão após ruptura localizada;
- proteção contra colapso progressivo.
Colapso progressivo é a propagação de uma falha local para uma parcela desproporcional da estrutura.
12.3 Item 20.1: armadura positiva secundária
A armadura positiva secundária deve ser:
- no mínimo igual a 20% da armadura principal;
- espaçada em no máximo 33 cm;
- emendada segundo os mesmos critérios da armadura principal.
Efeito
A armadura de distribuição passa a ter requisitos mais explícitos de quantidade, espaçamento e emenda.
12.4 Figura 20.1: detalhamento de lajes
A figura é substituída e passa a indicar continuidade, comprimentos de ancoragem e disposição de barras em torno dos apoios.

Figura 20.1 — Detalhamento de armaduras de lajes
Figura 7 — Figura substitutiva para detalhamento de lajes. Fonte: ABNT NBR 6118:2023/Em1:2026.
Consequência
Padrões de desenho e bibliotecas CAD/BIM devem ser revisados. A figura nova deve prevalecer em detalhamentos produzidos segundo a edição de 2026.
12.5 Item 20.4: diâmetro dos estribos em lajes
O diâmetro dos estribos não pode superar:
h/20
Também deve existir contato mecânico entre:
- barras longitudinais;
- cantos dos estribos.
As barras longitudinais devem ter diâmetro pelo menos igual ao dos estribos.
Objetivo
Evitar estribos desproporcionais e garantir que a gaiola possua apoio e ancoragem mecânica efetivos.
12.6 Item 20.5.1: telas soldadas nervuradas
As telas devem:
- atravessar integralmente o apoio;
- ter ancoragem de 10φ;
- respeitar comprimento mínimo de 10 cm.
Consequência
A tela não pode terminar na face do apoio. O detalhamento deve mostrar o trecho efetivamente ancorado após o apoio.
12.7 Novo item 20.6: armadura em lajes em balanço
Lajes com comportamento predominantemente em balanço, como marquises, devem possuir armadura na face inferior:
- distribuída ao longo do apoio;
- ancorada na estrutura principal;
- dimensionada para suportar as ações permanentes;
- destinada a impedir o colapso total caso ocorra ruptura na seção de apoio.
Significado estrutural
A armadura principal do balanço continua sendo superior. A nova armadura inferior não substitui a armadura de flexão principal. Ela atua como mecanismo de segurança residual.
Por que a alteração é relevante
Falhas em marquises frequentemente se relacionam a:
- corrosão da armadura superior;
- perda de cobrimento;
- infiltrações;
- ancoragem deficiente;
- retirada indevida de barras;
- sobrecargas;
- ausência de inspeção.
A armadura inferior cria uma segunda linha de defesa contra desprendimento total da laje.
13. Bielas e tirantes, consolos e blocos sobre estacas
13.1 Item 22.1: resistências fcd1, fcd2 e fcd3
A emenda diferencia a resistência de cálculo do concreto conforme o tipo de biela ou nó.
fcd1
Aplicável a:
- bielas com compressão transversal ou sem tração transversal significativa;
- nós CCC.
fcd2
Aplicável a:
- regiões com tração transversal;
- nós CTT ou TTT, nos quais convergem dois ou mais tirantes tracionados.
fcd3
Aplicável a:
- nós CCT, com um tirante tracionado.
Significado das siglas nodais
- C: compressão;
- T: tração;
- CCC: nó com três resultantes de compressão;
- CCT: nó com duas compressões e uma tração;
- CTT: nó com uma compressão e duas trações;
- TTT: nó com três trações, quando aplicável ao modelo.
Consequência
A resistência admissível do concreto no nó depende do grau de perturbação causado pelas trações. Não se deve usar um único valor para todos os nós de um modelo de bielas e tirantes.
13.2 Item 22.5.1.2, alínea d: forças horizontais em consolos
O dimensionamento de consolos deve considerar:
- forças horizontais;
- efeito desfavorável da inclinação da resultante Fd.
A emenda remete à ABNT NBR 9062 para valores mínimos dessas forças.
Exemplos de origem
- atrito;
- frenagem;
- deslocamentos térmicos;
- movimentação de equipamentos;
- imperfeições de montagem;
- retração restringida.
13.3 Figura 22.5: detalhamento de consolos
A figura é substituída e passa a apresentar:
- tirante principal;
- armadura de costura;
- ancoragens;
- alternativas com solda;
- cobrimentos;
- dimensões mínimas.

Figura 22.5 — Detalhamento de consolo
Figura 8 — Detalhamento substitutivo de consolo curto. Fonte: ABNT NBR 6118:2023/Em1:2026.
Consequência
Detalhes padrão devem ser comparados com a nova figura, sobretudo quanto a:
- posição do tirante;
- ancoragem;
- soldas;
- laços;
- armadura de costura;
- cobrimentos.
13.4 Figura 22.7: bloco sobre duas estacas
A figura é substituída por uma representação mais clara do modelo de bielas e tirantes de um bloco sobre duas estacas.

Figura 22.7 — Bloco sobre duas estacas
Figura 9 — Geometria do modelo resistente em bloco sobre duas estacas. Fonte: ABNT NBR 6118:2023/Em1:2026.
A figura identifica:
- força vertical Fd;
- momento Md;
- reações RA e RB;
- bielas comprimidas;
- tirante inferior;
- altura total h;
- altura útil d;
- posição das resultantes nas estacas.
Impacto para fundações
Planilhas e procedimentos que adotem geometrias simplificadas devem conferir:
- posição dos nós;
- largura efetiva das bielas;
- ancoragem do tirante;
- cobrimento;
- distância às faces das estacas;
- efeitos de momento no pilar.
A figura não substitui as verificações de compressão nodal, bielas, tirantes e ancoragem.
14. Vibrações e concreto simples
14.1 Item 23.3: afastamento das frequências
O projeto deve buscar o maior afastamento possível entre:
- frequência natural da estrutura fn;
- frequência crítica ou de excitação fcrit.
O que é frequência natural
É a frequência na qual a estrutura tende a vibrar quando perturbada.
O que é frequência de excitação
É a frequência imposta por pessoas, máquinas, equipamentos, vento ou atividades rítmicas.
Quando as frequências se aproximam, pode ocorrer ressonância, com amplificação da resposta.
14.2 Frequência natural mínima de 3 Hz
A emenda estabelece que a frequência natural da estrutura do piso não pode ser inferior a 3 Hz.
Interpretação correta
Atender a 3 Hz é condição necessária, mas pode não ser suficiente. Um piso com frequência de 3,2 Hz ainda pode ter desempenho ruim se a excitação estiver próxima dessa faixa.
Devem ser avaliados:
- frequência;
- massa;
- amortecimento;
- aceleração;
- uso do ambiente;
- periodicidade da excitação.
14.3 Item 24.6.1: pilares-parede de concreto simples
Pilares-parede retangulares de concreto simples podem ser dimensionados pela equação simplificada quando a resultante de todas as cargas de cálculo estiver dentro do terço central da espessura.
Por que o terço central importa
Quando a resultante permanece no terço central, a seção pode permanecer integralmente comprimida. Fora dessa região, surgem tensões de tração incompatíveis com a hipótese simplificada de concreto simples.
14.4 Item 24.6.3: uso do termo centroide
“Centro de gravidade” é substituído por “centroide”, em coerência com as demais correções terminológicas da emenda.
15. Alterações do Anexo A
O Anexo A, relativo a efeitos de fluência e deformações diferidas, foi ajustado nos itens A.2.1, A.2.2.1, A.2.2.3 e A.2.5.
15.1 Item A.2.1
A equação de deformação por fluência passa a utilizar Eci, conforme a nova definição do módulo de elasticidade.
15.2 Item A.2.2.1
A equação da deformação total é ajustada para utilizar Eci de forma consistente.
15.3 Item A.2.2.3
As referências a Eci28 são substituídas por Eci, e a designação da equação é atualizada.
15.4 Item A.2.5
As equações e parágrafos passam a utilizar Eci, com ajustes de formatação e recuo.
Efeito global do Anexo A
A mudança elimina duplicidade de símbolos. Em cálculos que já utilizavam corretamente o módulo aos 28 dias, o efeito tende a ser de notação e coerência, não de alteração numérica.
16. Checklist de adequação
Para projetistas estruturais
- Definir a classe CC no início do projeto.
- Informar formalmente a necessidade de ATP.
- Registrar premissas ambientais e vida útil.
- Atualizar modelos de parecer e plano de ATP.
- Atualizar bibliotecas de detalhes.
- Revisar critérios de emendas por luvas.
- Revisar ancoragens nos apoios.
- Inserir armadura inferior de segurança em balanços.
- Conferir punção e proteção contra colapso progressivo.
- Atualizar critérios de vibração.
- Atualizar notação de Eci.
- Conferir o limite δ ≥ 0,75.
Para construtoras e contratantes
- Contratar a ATP antes da liberação para execução.
- Fornecer dados reais do ambiente e do uso.
- Formalizar eventual dispensa em CC1 ou CC2.
- Exigir rastreabilidade de luvas mecânicas.
- Controlar temperatura em concretagens maciças.
- Conferir detalhes de estribos, ganchos e telas.
- Impedir alterações de barras sem aprovação do projetista.
- Registrar revisões avaliadas e liberadas.
Para empresas de fundações e geotecnia
Embora a NBR 6118 trate do projeto da estrutura de concreto, várias alterações afetam diretamente elementos de fundação:
- blocos sobre estacas;
- grandes blocos sujeitos a elevação térmica;
- consolos e bases de equipamentos;
- interação entre momento do pilar e reações das estacas;
- detalhamento e ancoragem de tirantes;
- compatibilização entre dimensões do bloco e tolerâncias executivas;
- ATP de estruturas industriais, de mineração e com subsolos.
A execução deve ser baseada na revisão de projeto efetivamente liberada. Mudanças de diâmetro, quantidade, espaçamento ou posição das barras não devem ser feitas em campo sem manifestação formal do responsável técnico pelo projeto.
17. Glossário de siglas e símbolos
Siglas
ABNT — Associação Brasileira de Normas Técnicas: entidade responsável pela normalização técnica no Brasil.
NBR — Norma Brasileira: identificação utilizada nas normas publicadas pela ABNT.
ATP — Avaliação Técnica de Projeto: avaliação independente do projeto estrutural quanto ao atendimento às normas e premissas.
CC — Classe de Consequência: classificação que relaciona o rigor de avaliação às consequências potenciais de uma falha.
CC1: classe de menor consequência.
CC2: classe de consequência intermediária.
CC3: classe de maior consequência e maior rigor de avaliação.
CAA — Classe de Agressividade Ambiental: classificação da exposição ambiental utilizada para requisitos de durabilidade.
VUP — Vida Útil de Projeto: período de referência para manutenção do desempenho previsto.
ELU — Estado-Limite Último: condição associada a ruptura, instabilidade, perda de equilíbrio ou falha resistente.
ELS — Estado-Limite de Serviço: condição associada ao desempenho em uso.
ELS-F — Estado-Limite de Formação de Fissuras: verificação do início da fissuração.
ELS-W — Estado-Limite de Abertura de Fissuras: verificação da largura de fissuras.
ELS-DEF — Estado-Limite de Deformações Excessivas: verificação de flechas e deslocamentos.
CA-25, CA-50 e CA-60: categorias de aço para armaduras de concreto armado.
CP V-ARI — Cimento Portland de Alta Resistência Inicial.
CAD — Computer-Aided Design: desenho assistido por computador.
BIM — Building Information Modeling: modelagem da informação da construção.
CCC, CCT, CTT e TTT: classificação de nós em modelos de bielas e tirantes, conforme o número de resultantes de compressão (C) e tração (T).
Símbolos principais
Ac: área bruta de concreto.
As: área de armadura longitudinal de tração.
As’: área de armadura longitudinal de compressão.
Asw: área de armadura transversal.
Ae: área média da seção celular equivalente.
bw: largura da alma.
d: altura útil.
h: altura total do elemento.
Eci: módulo de elasticidade inicial do concreto aos 28 dias.
f_{ck}: resistência característica à compressão do concreto.
fcd: resistência de cálculo à compressão do concreto.
fcd1, fcd2, fcd3: resistências de cálculo aplicáveis a diferentes bielas e nós.
Fd: força de cálculo.
Fsd: força de tração de cálculo na armadura.
Md, MSd: momento fletor de cálculo.
Nd, NSd: força normal de cálculo.
VSd: força cortante de cálculo.
RA, RB: reações de apoio.
z: braço de alavanca interno.
φ: diâmetro da barra.
λ: índice de esbeltez.
δ: coeficiente de redistribuição.
γc: coeficiente parcial de segurança do concreto.
μ: coeficiente de atrito.
k: coeficiente de perda por curvaturas não intencionais na protensão.
σsi: tensão de tração na armadura considerada, calculada no estádio II.
fn: frequência natural.
fcrit: frequência crítica ou de excitação.
Conclusão
A Emenda 1 não deve ser tratada como uma coleção de correções editoriais. Ela altera a governança do projeto estrutural, principalmente ao criar critérios objetivos para ATP e classes de consequência. Também reforça mecanismos de robustez, durabilidade e segurança residual em pontos historicamente sensíveis, como marquises, punção, ancoragens, consolos e blocos sobre estacas.
A adequação exige mais do que atualizar fórmulas. Projetistas, avaliadores, contratantes e executores precisam revisar contratos, fluxos de aprovação, bibliotecas de detalhes, memoriais, procedimentos de controle e critérios de liberação para obra.
Em estruturas industriais, de mineração, protendidas, com subsolos, marquises, grandes blocos ou fundações submetidas a momentos relevantes, a compatibilização entre projeto estrutural, projeto de fundações, informações geotécnicas e método executivo deve ocorrer antes da mobilização. Essa coordenação reduz alterações em campo e evita que uma incompatibilidade documental se transforme em risco estrutural ou contratual.
Na interface entre estrutura, solo, fundação e execução, as alterações reforçam a necessidade de compatibilizar geotecnia, sondagem SPT, fundações profundas e concreto usinado em Montes Claros com a revisão de projeto efetivamente liberada para execução.
Para aprofundar a relação entre solo, carga, estacas e método executivo, consulte também o artigo técnico sobre projeto de fundações.
Nota editorial: As figuras reproduzidas neste artigo foram extraídas do documento da Emenda 1 fornecido para análise. Para projeto, contratação, fiscalização ou execução, deve ser consultada a versão oficial e consolidada da ABNT NBR 6118.
NBR 6118:2026: o que mudou com a revisão e como aplicar cada alteração



