Você conhece a fundação em estaca escavada? Sabe quando deve ser utilizada e quando não é apropriada? Conhece sua classificação ou o método de execução? Sabe quais as recomendações normativas relacionadas à verificação de qualidade, desaprumo e excentricidade?

A estaca escavada é um tipo de fundação profunda moldada in loco muito comum em obras, sendo geralmente executadas por trado mecânico. A primeira referência ao estaqueamento é datada de 4 a.C., mas o desenvolvimento das estacas escavadas ocorreu durante o período pós-guerra, sabia disso?

Se você tem dúvidas sobre esse tipo de fundação, continue a leitura.

O que é estaca escavada trado?

A estaca escavada do tipo trado consiste em estacas cuja metodologia executiva não inclui a utilização de fluidos de estabilização ou lama bentonítica. Esse é um tipo de fundação que transmite a carga da edificação ao terreno por meio da resistência de ponta — realizada pela base ou por meio da resistência de fuste, pela superfície lateral ou por meio da combinação de ambas as resistências.

Além disso, é denominada fundação profunda, devendo ter uma base superior ao dobro da menor dimensão em planta, cuja profundidade mínima é de 3 m. Caracteriza-se também como estaca moldada in loco.

Como funciona?

A sua execução inicia-se pela perfuração do solo, no local previsto em projeto, por meio de um trado mecânico. Entretanto, existe uma exceção, pois a estaca broca é geralmente executada por meio de perfuração com trado manual.

É importante ressaltar que em caso algum há emprego de revestimento ou fluido estabilizante. A profundidade das estacas escavadas é limitada ao nível do lençol freático, uma vez que não o ultrapassam.

Após a escavação, são preenchidas com argamassa ou concreto e podem receber armação. No caso das estacas que são solicitadas a cargas de tensão ou compressão que se limitam a 5 ou 6 mPa, podem ser executadas em concreto não armado. Entretanto, isso não se aplica à armadura mínima de ligação com o bloco. Já as estacas que suportam tensões maiores devem ser armadas impreterivelmente.

Outro fator relevante é que se deve aplicar ao fck do concreto um fator redutor de 0,85, que objetiva proporcionar maior segurança, uma vez que leva em conta a possível diferença entre os resultados obtidos nos ensaios rápidos executados em laboratório quando comparados com a resistência real durante a ação de cargas de longa duração.

Quais os equipamentos utilizados?

As perfuratrizes utilizadas para a perfuração e escavação das estacas são geralmente montadas em caminhões ou esteiras e compostas por uma mesa rotatória. Essa mesa é responsável pela aplicação do torque em uma haste que transfere para o trado a energia apropriada para a escavação do solo.

Existem, também, equipamentos dotados de pull-down. Estes, além do esforço de rotação já citado, também aplicam um avanço hidráulico vertical que facilita a penetração do trado no solo, aumentando a produtividade de forma significativa.

Contudo, independentemente do tipo de equipamento, a cada comprimento que o trado penetra no terreno, ele deve ser retirado para a realização do basculamento, ou seja, faz-se a retirada de todo o material escavado do trado.

Quais as recomendações normativas para a execução da estaca escavada?

Perfuração

A perfuração é a primeira etapa, e deve ser feita até a profundidade especificada em projeto, por meio do trado curto acoplado a uma haste. Entretanto, é essencial a confirmação das características do solo por meio de uma comparação visual com o solo retirado no ponto de sondagem mais próximo.

Estaca Escavada - Basculamento do trado
Estaca Escavada – Basculamento do trado

Colocação de armadura

Quando as estacas não são sujeitas a flexão ou tração, a armadura é apenas de arranque, não apresentando função estrutural. Por isso, podem ser posicionadas no concreto uma a uma logo após a concretagem, sem a necessidade de colocação de estribos, deixando sempre para fora o arranque que servirá como espera conforme especificado no projeto.

Já nas estacas que são submetidas a momentos, esforços horizontais e de tração, a armadura a ser colocada deve ser a projetada e colocada antes da concretagem. No caso de tensões médias de até 5 mPa, o comprimento mínimo das armaduras deve ser de 2 m.

Concretagem

A concretagem deve ser feita logo após a perfuração, não devendo ser deixada para outro dia. Essa etapa é realizada por meio de um funil que deve ter comprimento mínimo de 1,5 m, a fim de orientar adequadamente o fluxo do concreto.

Além disso, existem exigências que o concreto utilizado deve satisfazer. O consumo de cimento não pode ser inferior a 300 kg/m³, e o fck deve ser maior que 20 mPa aos 28 dias.

Em relação ao abatimento de tronco de cone — também conhecido como slump —, deve ser de 8 a 12 cm para estacas não armadas e 12 a 14 cm para estacas armadas. Já o diâmetro máximo do agregado deve ser de 19 mm, aconselhando-se o uso da brita 1.

Preparo da cabeça e ligação com blocos de coroamento

Algumas vezes, a estaca pode ficar acima da cota de arrasamento projetada. Quando isso acontecer, deve ser feita a demolição desse trecho e posterior recomposição até a cota, de forma a deixá-la plana e perpendicular ao eixo da estaca. Para a demolição, recomenda-se o uso de ponteiro ou martelos leves.

Quando o topo estiver abaixo da cota de arrasamento prevista, devem ser realizadas emendas, porém elas devem sempre contar com o transpasse da armadura. Ao realizar recomposições, em ambos os casos o material utilizado deve apresentar resistência igual ou superior ao concreto da estaca.

Verificação de qualidade e desempenho das estacas

Não é permitido executar, em um intervalo menor que 12 horas, estacas com espaçamento entre elas menor do que três diâmetros, levando em consideração a estaca de maior diâmetro.

Além disso, no mínimo, uma estaca por obra ou 1% das estacas devem ser expostas abaixo do nível de arrasamento e, quando possível, até o nível de água, possibilitando a verificação de sua integridade e da qualidade do fuste.

Excentricidade e desaprumo

O desvio aceitável entre o eixo da estaca e o ponto onde ocorrerá a resultante das solicitações a serem recebidas, sem que seja exigida qualquer correção adicional, deve ser de até 10% da menor dimensão da estaca, sendo aplicável a estacas de qualquer dimensão.

Já no caso de desaprumo, só há necessidade de medidas corretivas para desvio e verificação de estabilidade e resistência quando o desvio de execução for superior a 1/100 em relação ao que foi definido em projeto.

A estaca escavada  é uma das fundações profundas moldadas in loco mais comuns nas obras e nos diversos tipos de empreendimentos, uma vez que apresenta procedimento relativamente simples e econômico.

Entretanto, mesmo assim existem detalhes que devem ser levados em consideração para que a execução seja feita de forma apropriada e segundo as prescrições normativas, a fim de garantir a segurança e a estabilidade necessárias às edificações.

Se você quer que essa etapa seja realizada da melhor forma possível na sua obra, entre em contato conosco e saiba como podemos ajudar.